quarta-feira, 21 de setembro de 2011

E você, já limpou suas janelas?

Hoje à tarde peguei um ônibus em mais uma das minhas andanças de rotina. Sentei no banco ao lado da janela e reparei que os vidros estavam sujos. Me dei conta de que aquela linha de ônibus sempre tinha as janelas sujas, sejam os ônibus velhos ou novos, em dias de sol, ou em dias de chuva. Sempre sujos e embaçados. Aquele bloqueio da minha visão me deixou angustiada e mesmo com o vento no rosto me incomodando abri a janela. Então pude ver o caminho, que já é conhecido, mas nunca é igual. Fiquei pensando, por que será que nunca limpam as janelas?
Imaginei que aquele ônibus poderia ser igual a nós. Muitas vezes não vemos com clareza nosso caminho, simplesmente porque não limpamos nossas janelas. Na vida, as sujeiras são os desentendimentos, às mágoas, o desânimo, a desilusão e até o “desamor”. Tudo isso, muitas vezes deixa nossos olhos e nossos corações embaçados, nos impedindo de viver plenamente as situações e os aprendizados de nossa trajetória.
Não falo de nada espiritual. Ao contrário, falo de uma condição bem humana, o medo e a insegurança. Quando passamos algo ruim é normal não querermos que isso se repita e fazermos de tudo para que não aconteça. Só que há um limite entre aprender com o erro e deixar que o medo dele domine você.
Quando criança era mais fácil. Se a gente caía da bicicleta ficava umas horas, no máximo um dia olhando pra ela de cara feia, mas depois a vontade de brincar era tão grande, que superávamos a marca do tombo e tentávamos de novo. E os machucados saravam mais rápido, até ossos quebrados, que são normais na infância, ficavam logo intactos depois de cuidados.
Óbvio que com o passar do tempo nosso corpo não reage da mesma forma. Envelhecemos, não nos renovamos com tanta facilidade e rapidez. Mas podemos preservar essa característica de renovação na nossa alma.
Não deixar que as marcas da vida fiquem embaçando nossa janela é um caminho. Se um amigo trai sua confiança, não ache que todos ao seu redor são falsos. Se um amor decepcionou você não ache que nenhum mais será sincero. Se um familiar não pensa igual a você, não ache que ele não lhe ama. Renove suas esperanças, acredite de novo, ame de novo, converse novamente. Se dê sempre a chance de viver e ser feliz. Não perca uma oportunidade simplesmente pelo fato de achar que não dará certo. Até porque se você não for um vidente, sinto muito, mas seu “achismo” não vale nem cinco centavos na praça. E no final dando certo, você se orgulhará de ter seguido em frente. Dando errado, aprenderá e conquistará outras oportunidades com mais sabedoria. Enfim, aprenda com cada uma das situações, boas ou ruins. As boas você pode usar para enfeitar o seu ônibus e as ruins limpe sempre de suas janelas.