segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Acabou a gentileza

Irmãos voltando-se uns contra os outros. Juízes sem diploma. Facas sem dois gumes. Está tudo um caos. Você não se vê no outro nem no espelho. Você se vende e agradece por isso. E eles te compram, como se isso fosse um favor. Você não é máquina, você não é gente. Você não é nada. Você é o que? Milhões de pessoas ao mesmo tempo pensando: “o que eu vou fazer?”, “pra onde é que eu vou?”, “o que eu vou comer?”. Milhões de pessoas pensando ao mesmo tempo “Eu vou morrer.” E todos caminhando. Caminhando num passo marcado, adestrado. Todos conformados, ou até inconformados, dentro da conformidade. Num passo marcado, adestrado. Dentro da conformidade. Andando em círculos. Se apóiam nas linhas que saem de suas mãos e pés pra sua própria defesa. Não dão um passo sem a diretriz delas. Trocam a inconstância da luta pela segurança da submissão. Vendem suas almas pelo pão de cada dia, pela casa, pelo telefone, pelo computador, pelo carro. E lutam pra conseguir boas vendas, mas quem tem o preço mais alto nem sempre ganha mais. Alguém fez todo mundo pensar assim. Se eu soubesse quem é podia ajudar. Podia dizer: Olha você está sendo malvado! Piedade desses pobres diabos! Pobres diabos.. Estão cegos, estão surdos, estão doentes! A inteligência já não funciona tão bem e por isso só assimilam o que lhe dizem. Pobres diabos... O coração também já não está bom, parece que bate, mas só bate quando faz muito esforço, e às vezes nem assim. Pobres diabos...A memória, essa já está por acabar-se, já não lembram quem são, já nãos reconhecem os irmãos e olha que são exatamente iguais a eles. Pobres diabos...pobres diabos... Mas e se esse alguém me dissesse que não lhes engana? Afinal , está tudo tão claro. Mas as doenças lhes impedem. Mas a cura é tão acessível. E por que não se curam então? Aí entra a culpa do outro. Mas e se essa culpa foi a origem apenas? Agora mantém a doença porque querem e porque gostam dela? Não são pobres diabos...Têm vontade de ser o que são. E o que querem mesmo é ter o preço mais alto. Acham que têm o poder de ser o que quiser, de mudar o que quiser, pois sozinhos têm força. E é melhor chegar sozinho do que ficar junto. Nadam contra uma maré cruel e se debatem nas pedras e jogam uns aos outros nas pedras. E oferecem uns aos outros aos pássaros para serem devorados. E o passo marcado, adestrado parece uma ópera mórbida, uma dança que impele os bailarinos a guerra. A luta contra a sobrevivência. Bando de burros!! Parem de olhar para os lados, de se matar entre si, de ostentar a moral e os bons costumes que são tão úteis quanto correntes enferrujadas sobre feridas abertas na carne. Olhem pra cima. Porque o inferno ao contrário do que muitos pensam está no alto. Ele dita as regras, a maré, a dança, a guerra. E lá se divertem, riem, saboreiam a visão d alto de suas correntes rangendo e pesando. As suas doenças são a base de lá. O dia em que olharem pra cima...ah o dia! Verão que é tão frágil e tão baixo que não terão opção que não seja atacar e deixarão de nadar pros lados e nadarão rio à cima. E a corrente forte vai ser fraca. E a luta contra vai ser a luta pela. E quando passarem vão olhar pra cima de novo...e ver que ainda há o em cima, mas que não se sabe já se é inferno ou céu...mas já está a cima do que estava antes.