terça-feira, 18 de novembro de 2014

Procoração

Venho por meio deste abrir mão de certos desprazeres que andam se dizendo satisfação
Livro-me das correntes de supostos desejos fermentados na ilusão
Lanço-me na contramão dos propósitos imprudentes da intensidade
Dos jogos cansativos do imprevisível
Das viagens de ida com voltas dolorosas da não certeza

Não abro mão dos riscos
Eles podem residir na prepotência da tranquilidade
Eles são alimentos da fé
Mas me permito não ceder mais aos caprichos das tempestades de verão
Das melodias improvisadas e dos versos impensados
Me deixo não ver nos excessos a animação da vida

Opto então por crer que que pode haver mais consistência no movimento das marés
Do que na busca desefreada por terra firme que simboliza o quebrar das ondas
Julgo mais apropriado os exercícios contínuos em busca de aprimoramento
E não mais os problemas únicos, interminávis e impossíveis de reprodução

Ganho-me a vantagem da apostar na serenidade da construção de um lar sólido e plano
Ao invés de me aventurar em arranha-céus que balançam
Fico com pirâmides ao invés de Torre Eiffel
Guardo-me na correnteza dos rios e não no inevitável das quedas d'água
Mesmo sabendo que um pode levar ao outro e que sempre o fará.