sábado, 28 de março de 2015

Achado

Às vezes quero poesias de fora
Quando as de dentro não têm palavras
Tem dias que caminho sem rumo, fazendo questão de perdê-lo e encontrá-lo nas esquinas
Certas horas esbarro comigo
Em outras me perco de mim que nem criança que solta a mão da mãe na feira

O desespero não faz mais em mim lugar de pouso
Sigo sempre e vôo tanto que não me alcança
Não se assenta em mim
Trago uma paz que também não demora, mas vem e vai, fica e parte todos os dias
Mas está aqui
Das paixões carrego saudades, mágoas e lições de nunca mais voltar
Da saúde um medo, uma descrença, uma certeza científica de que tudo é incerto e subjetivo
Da fome não tenho memórias, mas ouço vozes que ferem e me abrem os olhos pra ver

Vazio
Este poema é vazio.
E não tenho intenção de não sê-lo se nada do que sinto hoje se explica pra mim
Me ocupo de por para fora esse bolo de coisas que não compreendo
Olhá-lo, dissecá-lo, revirá-lo e jogá-lo fora se não me parecer que serve
Não é você minha preocupação, não é você meu objetivo
Hoje eu sou centro de mim e me jogo numa busca perdida para sair daqui

A cada palavra que escrevo menos entendo e mais me perco
A cada frase que acabo menos sentido me faço
E mais me jogo pra fora e mais me vejo e mais me perco
Caminho em círculos e encontro os mesmos pensamentos
Dissimulo nas horas como se não me fizessem falta e mais me perco

E mais me perco
E mais me cerco
E mais me tenho
E mais me erro
E mais me vivo
E mais me enredo
E mais me perco
E mais me perco.